Sexo 60+: um guia para o prazer sem data de validade
Brasileira fala sobre sexo na terceira idade: ‘Eu transo sim e gosto muito’ Em novembro, este blog completará dez anos. Ao longo desta década, pude observ...
Brasileira fala sobre sexo na terceira idade: ‘Eu transo sim e gosto muito’ Em novembro, este blog completará dez anos. Ao longo desta década, pude observar que o exército de longevos vem crescendo e se empoderando – eu própria me tornei uma idosa. A discussão sobre os danos que o etarismo provoca ganhou força e há um número cada vez maior de pessoas dispostas a denunciar o preconceito e os abusos contra os mais velhos. No entanto, abordar a questão da sexualidade após os 60 continua sendo um tabu, embora a intimidade física não seja um privilégio da juventude, e sim um componente fundamental da experiência humana. Sexo 60+: com verbetes de A a Z, guia aborda temas que vão de brinquedos eróticos a disfunções sexuais Maria Francisca Mayorga para Pixabay Por isso, decidi que esse seria o tema do meu quarto livro voltado para a questão da longevidade. Em Sexo 60+ – prazer sem data de validade (Editora Contexto), optei pelo formato de um guia, com uma linguagem clara e objetiva: são 60 verbetes, de A a Z, que não precisam ser lidos de forma linear. É só escolher o assunto: brinquedos eróticos, desejo, disfunção erétil, fantasias, intimidade, libido, posições, zonas erógenas... Sem qualquer pretensão de abranger o vasto e multifacetado universo da sexualidade, quis abordar o prazer dos 60+ sem minimizar ou esconder os perrengues, mas fazendo o possível para enriquecê-lo. Afinal, somos mais de 34 milhões, o equivalente a 16,6% da população brasileira, e a maioria de nós que ultrapassou tal marco tem algumas décadas de prática. Na base da tentativa e erro, testamos, ganhamos repertório, e, com o tempo, passamos a conhecer melhor nosso corpo e nosso desejo. O problema é que a experiência acumulada às vezes esbarra no declínio físico, que se apresenta de diferentes formas na velhice – há quem chegue aos 70 lépido e fagueiro, enquanto outros têm que lidar com doenças crônicas até incapacitantes. Além disso, o preconceito pode ferir profundamente. Vamos internalizando um sentimento de que não temos os mesmos direitos que os mais jovens e de que devemos sair de cena. A rejeição ao próprio corpo está na longa lista de efeitos colaterais. Como em minhas obras anteriores, contei com a ajuda inestimável de homens e mulheres que, generosamente, compartilharam suas experiências. As idades variam entre 60 e 80 anos, e seus nomes foram alterados para que se sentissem à vontade para revelar questões íntimas. Minha proposta é que o guia seja para quem continua a fazer sexo e quer saber como pode ter e dar mais prazer. Para quem não anda tão ativo, mas gostaria de voltar ao jogo. E para que todos os curiosos e curiosas, sozinhos ou com companhia, possam desfrutar de novas sensações. Os verbetes são apenas um ponto de partida. A ideia é que cada leitor ou leitora transborde seus limites e se desapegue de padrões de desempenho do passado. E que o deleite se estenda indefinidamente, porque o sexo deveria morrer conosco, e não antes de nós. Capa do guia: a intimidade física não é um privilégio da juventude, e sim um componente fundamental da experiência humana Reprodução